Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

Sábado, 13 de Dezembro de 2008

Inesperadamente...

voltei.

Depois de alguns meses por paragens menos consensuais, decidi voltar a transformar o Silêncio em Barulho Baixinho, reservando-o para reflexões quotidianas, desta vez, com uma periodicidade semanal, sobre a vida e o mundo.

Terça-feira, 15 de Abril de 2008

(sem título) - Interpretação livre

Está seco.
Esta terra não será mais que semente.
Lá floresce. Lá cresce.
O ramo será demasiado pesado,
numa ode vitoriosa ao anonimato.
Aqui, eventualmente,
poderão cair algumas pétalas secas.
Nunca o pólen.
Sangue quente, cabeça fria.
O bebé cresceu,
já só vem de visita.


Alexandre

Segunda-feira, 31 de Março de 2008

:)


Reli agora uma parte deste blog e só tenho a dizer que é estranho.

Tristeza, ira, melancolia...

Que se passa aqui???

Quem me conhece sabe que sou alegre, crítico, observador, quando para aí virado. Bom, valha-me o facto de ter escrito pouco, é sinal que são raros os momentos menos felizes.

Isto tem de dar uma volta, tem tem!

Voltar (Volver)

Cá estou eu outra vez.

Ilogicamente, passei as férias sem escrever aqui, mas fui passeando por outras paragens de escrita que um dia revelarei. Daqui a alguns anos.

Por falar em férias: LLORET DE MAR. Sabem o que vos digo? Um enorme e puro engano. Enganaram-nos. É muito melhor, aliás, não deve ser o mesmo local onde a comunicação social faz aquelas reportagens a que estamos habituados.

ADOREI. :)

Nascer do Sol em Lloret de Mar


As histórias? As histórias aparecerão. No seu devido tempo.

Entretanto, estou no dia do voltar:
-voltar à escola;
-voltar a correr logo de manhã (devia ter acontecido, mas embora tenha programado o despertador esqueci-me de acertar o relógio);
-voltar a almoçar à pressa;
-voltar...

E sabem o que vos digo? É bom voltar. Mesmo quando o nosso desejo seria estar noutro sítio, voltar tem o sabor especial de quem está de novo onde é feliz e, desta feita, com energias renovadas e com mais experiência e conhecimento.

Vamos lá!


P.S.: Espero escrever com mais frequência nos próximos tempos. Não que me sinta inspirado, mas sinto-me capaz de gerir melhor o meu tempo. Acho eu.



...cause soulmates never die.

Quinta-feira, 6 de Março de 2008

A coragem e a honra são, salvo demasiadas excepções, duas características do ser humano.
Para isto chegar a este ponto mais valia estes Homens não terem arriscado o pescoço.


No dia 25 de Abril leiam os vossos discursos em voz baixa. Assim, e no máximo, apenas enganam um.

Domingo, 2 de Março de 2008

A corda do elefante sem corda


"A corda ainda prende o pé mas eu já fugi daqui. tantas vezes. que não sei se vou voltar.não tirei fotos porque quero lembrar que ainda é cedo ou muito tarde para me vires buscar."

Segunda-feira, 25 de Fevereiro de 2008

Magias

Varrer o terraço depois de falar com a Sy faz pensar.
Pensar que tudo é diferente, estranho. Pensar que há um ano ansiava pelo Verão, pela Ujr, pelo sonho...e que este ano já tive mais que o sonho e lhe abri as mãos. Foi melhor para todos, mas viver sem sonhos não é, de todo, fácil.

Podia muito bem olhar em frente, para a viagem de finalistas, mas o meu lado intuitivo só se quer ver de regresso. Desconheço as razões, mas isso é o que menos importa.

Sendo assim, e visto que nada mais há a fazer, vou estudar, estudar e estudar, ou então vou deitar-me e olhar para o tecto na esperança que chova música. Ou chova passado. Mais do que de futuro apetece-me viver de passado. Eu sei que isto já se torna uma ideia recorrente aqui neste blog, mas ultimamente ando num bloqueio criativo enervante e só me sei queixar da inexistência de uma máquina de transporte ao passado. Desculpem.

-Bom, Rui bora aí a uma jam que o meu pai deve estar a chegar para irmos para a piscina que o Alex, a Rute e a Ema já chegaram. Já te disse que hoje falei com a MaJo, o Maçaira e a Sy?

Fuckin' great times...

Ok, eu faço um esforço e tento pensar no futuro.

De que é que preciso para entrar num curso dos que gosto? Um 18 (ou mais) num dos exames.

Vou à Ujr sonhar por 15 dias? Não, estou no 12º, não posso.

Amanhã vou dar um grande abraço à Di e à Jo, mal chegue à escola? Não. Elas estão em Braga.

No domingo vou dar uma bela volta de bicicleta? Não. Os testes levaram a boa forma com eles e o frio não deixa correr pela manhã.

Ok, vou-me deitar à espera que chova música...

Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008

Até ao fim do fim.

Resignei-me.


Porque é mais valorizado conhecer os "cantos" aos Lusíadas do que saber falar com as pessoas.

Porque é mais valorizado saber de cor o clássico do que inovar.

Porque é mais valorizado ouvir e calar do que desenvolver o espírito crítico.

Porque é mais valorizado saber a definição de um recurso estilístico do que saber usá-lo.

Porque é mais valorizado ser igual.

Assim seja. Amém.



Orlando, amigo, é este o nosso triste Fado. Mas, contra ventos e marés, erga-se a cabeça e faça-se a diferença. Não podemos fechar a loja.

Sexta-feira, 8 de Fevereiro de 2008

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"Lembrar como o mar nos ensinava a sonhar alto, lembrar
nota a nota o canto das sereias... Lembrar cada
lágrima, cada abraço, cada morte, cada traição, partir
aqui com a ciência toda do passado, partir, aqui, para
ficar..."
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Prometo que farei uma música em honra de todos os "John Q" deste Mundo.

Preconceito(s)

Estou neste momento a ouvir Devil In Me, uma promissora banda portuguesa, e lembrei-me de algo que há muito me atormenta: as "aversões no escuro". Perdoem-me mas não encontro outro nome.

No campo musical tenho bem identificadas duas castas desta triste doença que consiste em depreciar sem conhecer: a aversão ao Fado e a aversão ao Metal.

Quem me conhece sabe que são estes os meus géneros musicais favoritos. Porquê? É simples.

Não querendo, de forma alguma, desvalorizar outros géneros, é no Fado e no Metal que melhor me encontro: pela emoção cantada a chorar, pelo despudor em expor o que se sente, pela alma, pelo fogo e pela técnica. Sim, a emotividade e entrega não constituem mais que uma intenção, mas, quando aliadas a uma técnica primorosa são tudo o que preciso para me sentir feliz com a música que ouço.

Comecemos pelo Fado. A rejeição do Fado pela população mais jovem do país do Fado, dos fadistas e do Cristiano Ronaldo é uma calamidade pública. Não há dúvidas disso. A nossa saudosa Amália Rodrigues não entrou nos Morangos com Açúcar, o Carlos Pardedes não tinha sapatilhas verde fluorescente, a Ana Moura não aparece na capa da Revista Cor de Flor Rosa De Roseira, logo o Fado é obsoleto, desinteressante e coisa “a preto e branco”. Querem que lhes digas uma coisa? Não sabem o que perdem.

Agora o “barulho”. O meu querido “amontoado de sons produzidos por malucos aos berros e desejosos de partir guitarras”. Como eu vos amo Metal e Hardcore.

Pois bem, esta dama é mais difícil de defender, pois é rejeitada por 90% da população (acho eu), dos 8 aos 80. Mas lanço-vos um desafio: esqueçam tudo o que “sabem”, ou imaginam, e ouçam, só vos peço isso. É bom para vós, assim, quando disserem que detestam, atestam-no por experiência e não por suposição.

Que é que posso dizer acerca destes géneros mais pesados: que me libertam, que estão recheados de génios a escrever e a compor, que têm dos melhores solistas vocais e instrumentais.

Não é raro comparar o Metal à Ópera e música clássica, pela habilidade, intensidade e emotividade vocal, pela forma exímia como os virtuosos da guitarra, bateria e baixo criam e interpretam solos de cortar a respiração e fazer lembrar uma orquestra em pleno clímax. Então, por que é que o Metal e Hardcore são tão desvalorizados?

Como saberia bem passar as noites a deambular entre mosh pits e Casas de Fados…

Termino parafraseando José Luís Peixoto: “A música, seja de que estilo for, seja interpretada por quem quer que seja, faz propostas que cabe a nós tentar perceber. É claro que todos temos os nossos gostos pessoais, mas rejeitar à partida um género musical é estarmo-nos a privar, a auto-censurar, a tornarmo-nos mais pobres.”.

Terça-feira, 5 de Fevereiro de 2008

O cachecol preto cheira a Sábado à noite.

Domingo, 27 de Janeiro de 2008

Dá-me a tua melhor faca.

Estou a gostar deste ritmo acelerado.
A pressão é, para mim, um privilégio. Gosto assim. Trabalho melhor.
Nada me sabe tão bem quanto a sensação de dever cumprido, e quanto mais deveres, mais hipóteses tenho de me sentir satisfeito com o que faço. Quero deixar a minha marca, nem que seja numa "árvore".

O próximo teste de fogo chama-se Matemática Pós Teste Intermédio e traz como adorno um fita que diz: "Agora ou Nunca!"
Não era hoje que iam encomendar as faixas de campeão?

Quarta-feira, 23 de Janeiro de 2008


...que bonito.
"O emburrecimento geral não é fatalidade, é opção",

Tarso Genro (Ministro de Estado da Educação do Brasil, em 2004)

Terça-feira, 22 de Janeiro de 2008

Manhã de dejá-vus

Sábado, 19 de Janeiro de 2008

16/01/2008


(aula de Português)

(Sem Título)


Hoje andava a arrumar o quarto e descobri este texto, do meu 6º ano, em 2001.

Bem, nada melhor para ilustrar a incómoda versão apocalíptica, "O terror surgirá com rumor e fumo", que os acontecimentos ocorridos a 11 de Setembro de 2001, por volta das 13 horas e 45 minutos (hora de Lisboa).
Nesse dia, o medo exigiu ser pronunciado bem alto, contrariando assim o costume do Homem, que é pronunciá-lo em voz baixa. A entoação do medo segue o Homem onde quer que ele vá, afinal o Homem é o medo.
Agora, apenas restam ruínas e fantasmas. Fantasmas dos que morreram e dos que indirectamente mataram. Naquela hora, onde estava Deus? Nos aviões assassinos? Ou nos mortos inocentes e sobreviventes que nas suas preces o chamavam por entre os escombros?


Saudades da inocência...









...se eu soubesse o que sei hoje...

Quarta-feira, 9 de Janeiro de 2008

Lisboa - Men Eater

«Do teu ombro vejo o mundo
É Lisboa em todo o lado
Soltam os cães atrás de mim
Amanhã de madrugada
Usa a roupa que escolhi
Como adorno não um fardo
Levo o peito cheio de ti
Deixo o resto à tua guarda»

André Henriques
(Vocalista e Guitarrista dos Linda Martini)

Quinta-feira, 3 de Janeiro de 2008

Sabe tão bem estar na cama a ouvir Ana Moura, a chuva, Moonspell e o vento.

Segunda-feira, 26 de Novembro de 2007

"Não conheço mas adoro, estou a falar a sério!"

Tens razão Telmy, isto é um flagelo.
O Ian Curtis vem em tudo o que é revista cultural e de um momento para o outro temos um assustador aumento do número de fãs de Joy Division e, porque também fica bem e vinha lá escrito este nome, de New Order. Isto seria uma boa notícia, não fosse isto apenas uma moda.

Sim, a moda é tão prejudicial à música quanto a política ao futebol.

Faço os possíveis para divulgar bandas menos mainstream: os fãs são indispensáveis a uma banda. Mas custa-me quando num dia ouço uma pessoa dizer que é a fã número um de determinada banda e no dia seguinte constato que só ouviu aquele single que passou na RFM à hora do banho. É giro quando ouvimos algo desconhecido e exploramos a música. É muito feio quando ouvimos algo interessante e exploramos o nome.

Quarta-feira, 21 de Novembro de 2007

Estranha forma de vida (ou 23 Primaveras de Destroços a Preto e Branco)

Sim, sim, eu sei que estou uma semana atrasado, mas apenas hoje pude escrever sobre o tema do momento na intersecção do mundo da música com a sétima arte: Control, de Anton Corbijn.
Este filme não um típico biopic de mais uma lenda que morreu cedo, Corbijn, sem nunca despir a pele diplomática e anti-melodramática, ao contrário da música dos Joy Division, vai mais longe e mais fundo, facto que se deve também à base do guião, que acenta essencialmente numa autobiografia escrita pela
co-produtora do filme, a viúva de Ian Curtis: Touching From A Distance. Que o realizador adaptou e junto à história não contada por Deborah, à relação de Ian Curtis com a verdade e com ele próprio e à história dos dois amores, embora a música seja como que passada para um segundo plano.
Citando Miguel Esteves Cardoso: "Acredito que até seja melhor sentir e gostar pouco da música dos Joy Division para poder ver este filme como o filme que, se calhar, é."
Bom, não serei a pessoa mais indicada para falar de cinema, por isso vou falar de música. Penso que é este o oceano artístico em que melhor nado, ou, pelo menos, não me afogo com tanta facilidade.

Joy Division. Nasceram, cresceram e morreram, mas nunca viveram acima das suas possibilidades. Não direccionaram a sua música para as massas, nunca tiveram uma ascensão meteórica, foram sempre alvo de um culto marginal, sub-urbano, embora tenham atingido alguns bons resultados nas tabelas britânicas. Foram uma banda que influenciou uma vasta geração de músicos, mesmo nunca tendo protagonizado um concerto para mais de 1200 espectadores ou levado a cabo qualquer digressão fora da Europa (Curtis pôs termo à sua vida, não à sua história, em vésperas da primeira em solo americano).
Os Joy Division (ou devo cingir-me ao postumamente mitificado Ian Curtis?) são o expoente máximo musical duma Manchester pós-industrial, soturna, fria e claustrofóbica, onde, no final da década de setenta, o principal estimulante era o haxixe, utilizavam-no para atravessar os espaços da cidade e aumentar aquela sensação especial de suspensão que caracterizava Unknown Pleasures (primeiro álbum). Como contraste, a banda era sóbria e tinha os pés bem assentes na terra.
Não quero que se confunda a música dos Joy Division com o fatalismo da nova onda pseudo-emo mas é inevitável rotular (palavra insípida, esta) as suas criações de «urbano-depressivas», mas isso não chega, nem mesmo quando lhe acrescentamos a designação de «pós-punk». Talvez apenas (?) pop/rock seja a designação mais indicada, mas continua a ser insuficiente, pois eles criaram à sua volta uma atmosfera única e irreplicável, das letras embebidas em poderosas emoções, como culpa, medo, raiva, claustrofobia ou nojo, à epilepsia de Curtis, que muitas vezes se confundia com os seus movimentos em palco. Sim, ele era um animal de palco. Só aí ele era excêntrico e abandonava a sua habitual postura de instrospecção, aquela a que ele nos habituou quando o "víamos" nas ruas dos subúrbios de Manchester, dentro da sua escura gabardina. Ainda não encontrei melhor descrição do comportamento de Ian que esta de John Savage: "Curtis vivia cada momento como se fosse o último, dando tudo de si. Nesta prática de envolvimento total, a sua epilepsia começou a tornar-se indistinguível da sua performance."
Ele já era um génio, embora muitos digam que foi moldado para exprimir todos os sentimentos mais profundos de Tony Wilson (co-fundador da mítica editora indie Factory, que lançou os Joy Division, aparentemente condenados ao fracasso), mas tornou-se um mito quando, na noite de 18 de Maio de 1980, aos 23 anos de idade, no número 77 da Barton Street, em Macclesfield, nos subúrbios de Manchester, após ter visto um filme de Werner Herzog e ter ouvido um disco de Iggy Pop, Ian Curtis colocou um ponto final à sua vida e à actividades dos Joy Division, a um casamento falhado com Deborah Curtis (do qual resultou uma filha), a um amor extraconjugal com uma jornalista/fã belga.

Muito fica por dizer. Esta é uma história com continuação. Não posso terminar (ou interromper) sem dizer que o nome da banda veio do romance histórico, com o nome de "House of Dolls", do escritor Yehiel De-Nur. Neste livro Joy Division (Divisão da Alegria) é o nome dado para a área onde as mulheres judias são mantida prisioneiras para servirem sexualmente os oficiais nazis.





Sábado, 27 de Outubro de 2007

Saudades da "Puta"

Hoje andava eu, de Blitz na mão, num hipermercado quando olho para uma prateleiras e surge em mim um sentimento revivalista e nostálgico que num ápice me arrefeceu o espírito, me esvaziou a alma e me humedeceu os olhos.

O que para uma qualquer outra pessoa era apenas um pequeno pacote de leite Mimosa (passo a publicidade) com aroma a baunilha e uma palhinha amarela, era, para mim, um pedaço do meu passado e dos meus sonhos, da minha história, dos meus amigos, do Alexandre enquanto pessoa.

Tantas recordações que me fazem chorar enquanto escrevo, tantas gargalhadas, amizades inimagináveis, experiências inesquecíveis. Ok, eu páro com os pseudo-slogans publicitários...

Aquele pacote de sumo fez-me lembrar a FFUP, onde eu bebia um logo de manhã para complementar o pequeno-almoço do quartel e outro ao final da tarde. Fez-me lembrar a pequena caminhada até à Faculdade de Direito ao encontro do pessoal, aquelas viagens de autocarro sempre "à porrada", a paragem VIP de Farmácia, as conversas...

Hoje fechei os olhos e por momentos regressei a um Mundo do qual não mais faço parte. Crescer dói. Quero voltar a trás e viver tudo de novo. Mas não posso e este é um capítulo que terei de fechar, mais cedo ou mais tarde...

Não me permito nomear as pessoas que constroem este número, pois correria o risco de não recordar todos aqueles que quero um dia, ou dois, ou três, reencontrar...

"Preciso-bos"

Para começar

Quinta-feira, 25 de Outubro de 2007

Devaneios Outonais

Perco-me nesta estrada que tão bem conheço. Parece que nunca mais me habituo, só o nevoeiro me inspira, em contraste com esta brisa seca e fria que apenas faz de mim aquilo nunca serei, ou talvez, até, já terei sido. Não quero saber.
Como é lindo o Outono, os arco-íris do arvoredo a ressuscitar o céu cinzento, o cachecol que espreita tímido da gola subitamente posta de pé: o sol matinal engana-me sempre…
Continuo a sentir-me excedentário nesta paisagem, nesta rua deserta, só ouço o vento e os movimentos reflexos que o frio provoca no meu nariz…que vermelhinho que ele está…
A chegada do frio deixa-me assim, como que um espectador, introvertido. Troquei a estival festa pseudo-tropical por uma inexcedível alegria interior, abafada apenas por versos da minha vida que teimam ser bombeiros, apagando o fogo que há em mim. Mas a lenha não esgota. E queima…
O nevoeiro, arde, também, lá fora…


Domingo, 7 de Outubro de 2007

A Ascenção, a Queda e o Tamanho M

Não, não vou fazer uma análise política às recentes eleições internas do PSD. Podia fazê-lo, mas não quero.

Depois de manter esta janela aberta horas a fio, encontrei um bom tema para deixar "escorrer" a "tinta": "Não ter tema". Exactamente.

Escrever é uma actividade que deriva dos primóridos da Humanidade e que, hoje, nos é ensinada desde tenra idade. E ainda bem.

Gosto bastante de escrever, sabe-me bem, seja num teclado ou na areia molhada, com um lápis mal afiado ou com as letras da sopa, adoro escrever, e foi essa uma das razões pelas quais criei este blog: a necessidade de escrever. Mas quando escrevo gosto de ter um motivo para o fazer (hoje é excepção), um bom tema que me permita ser acutilante ou simplesmente divagar...
Há vários dias que não tenho tema. É frustrante abrir o Blogger e fechá-lo de novo sem ter escrito o que quer que seja, ou escrever um parágrafo e apagá-lo pois este não nos leva a outro local que não um sombrio beco sem saída.

ESTOU OFICIALMENTE SEM TEMA. COM INSPIRAÇÃO MAS SEM TEMA!!!

Até um dia.
(espero que amanhã)

"O tempo corre, não anda, ele é quem manda."

P.S.: O título é uma semana mais antigo que o texto. Era o titulo de um dos tais parágrafos inconclusivos, mas como me pareceu bonito decidi mantê-lo.

Terça-feira, 2 de Outubro de 2007

23 coisas que não se pode morrer sem saber

Sabiam???

1- O nome completo do Pato Donald é Donald Fauntleroy Duck.

2- Em 1997, as linhas aéreas americanas economizaram US$40.000 eliminando uma azeitona de cada salada.

3- Uma girafa pode limpar suas próprias orelhas com a língua.

4- Milhões de árvores no mundo são plantadas acidentalmente por esquilos que enterram nozes e não lembram onde as esconderam.

5- Comer uma maçã é mais eficiente que tomar café para se manter acordado.

6- As formigas espreguiçam-se pela manhã quando acordam.

7- As escovas de dentes azuis são mais usadas do que as vermelhas.

8 - O porco é o único animal que se queima com o sol, além do homem.

9- Ninguém consegue lamber o próprio cotovelo, é impossível tocá-lo com a própria língua.

10- Só um alimento não se deteriora: o mel.

11- Os golfinhos dormem com os olhos abertos.

12- Um terço de todos os gelados vendidos no mundo é de baunilha.

13- As unhas das mãos crescem aproximadamente quatro vezes mais rápido que as unhas dos pés.

14- O olho da avestruz é maior do que o seu cérebro.

15- Os destros vivem, em média, nove anos mais do que os canhotos.

16- O “quack” de um pato não produz eco, e ninguém sabe porquê.

17- O músculo mais potente do corpo humano é a língua.

18- É impossível espirrar com os olhos abertos.

19- “J” é a única letra que não aparece na tabela periódica.

20- Uma gota de óleo torna 25 litros de água imprópria para o consumo.

21- Os chimpanzés e os golfinhos são os únicos animais capazes de se reconhecer na frente de um espelho.

22- Rir durante o dia faz com que você durma melhor à noite.

23- 40% dos telespectadores do Jornal Nacional dão boa noite ao jornalista no final.

Curiosidade :

Aproximadamente 70 % das pessoas que lêem isto, tentam lamber o cotovelo!
Não adianta, não dá!:)

Segunda-feira, 10 de Setembro de 2007

Há corações e corações

Uns são amadores, os outros são profissionais.
Uns são a primeira equipa amadora a chegar a um mundial, os outros estão com dificuldades para chegar ao europeu.
Uns pagam para jogar, os outros recebem milhões para "passear".
Uns sentem o hino e gritam-no em França, os outros ficam com carinha de enjoados quando o ouvem num estádio português.
Uns estagearam com os fuzileiros, os outros com prostitutas.
Uns têm orgulho em perder por poucos com os melhores do mundo, os outros podiam ser os melhores do mundo mas não têm orgulho em nada.
Uns são desprezados pela lei e pelas televisões, os outros são protegidos por tudo e todos.
Uns nunca tiveram uma primeira página de jornal, os outros são o jornal.
Uns trabalham de dia e treinam à noite, os outros fazem que treinam de dia e divertem-se à noite.
Uns fazem sacrifícios e deixam a mulher e os filhos para envergar a nossa camisola, os outros deixam a mulher e os filhos por outras camisolas (ou sem elas).
Uns usam protecções nos dentes, os outros usam protecções nos brincos de diamante.
Uns são LOBOS, os outros são CORDEIRINHOS...

FORÇA LOBOS!!!




Terça-feira, 4 de Setembro de 2007

Não sejas mais um "tijolo"

A canção "Another Brick In The Wall, part 2" não é mais do que uma crítica sempre actual ao sistema de ensino que tenta controlar o pensamento dos alunos. É pena que ainda haja "tijolos".

São uma das minhas bandas preferidas, e fico chocado quando ouço dizer que "os Pink Floyd são aqueles malucos que têm aquela musiquita contra a professorada". Não acho que se deva tratar assim a banda e o grupo de pessoas que nos ensina. Mas eu também não conheço a fundo o trabalho da Ágata, por isso não me acho no direito de exigir que conheçam o desses grandes visionários que foram os Pink Floyd.

Voltando à canção: não devemos julgar esta música apenas pelo início do refrão ("We don't need no education"). Este tema é na realidade uma crítica, na altura em relação a Inglaterra, ao sistema de ensino. Uma "máquina" que não permite que os alunos pensem por si. É um sistema de falsa liberdade para os alunos, uma vez que os limita em muitas coisas. Sobretudo na forma de pensar. Não culpo só o sistema, mas também culpo alguns professores, que só aceitam que os alunos cheguem às mesmas conclusões que eles. Este é um limite, um verdadeiro limite, que impede a formação de PESSOAS, que transforma o ensino numa "linha de montagem industrial", de onde todos deveriam sair a pensar o mesmo. Sempre assim foi no ensino, mas agora, infelizmente, isto acontece perante toda a gente, com as restrições à liberdade de expressão, opinião e imprensa a que temos assistido.

Porque ir para a escola devia ser algo muito superior a concordar com o que nos é impingido, deveria ser uma partilha de opiniões, de experiências, regrada e guiada por alguém que tem por obrigação saber mais do que nós acerca do que se está a falar. Mas o problema é quando esse alguém pensa ser dono de toda a sabedoria...quando esse alguém manda um aluno para a rua porque o está a irritar com tantas perguntas, com opiniões que contradizem a sua "divina sabedoria".

Fico triste. Mas uma coisa posso prometer a mim mesmo: nunca vou deixar de ser chato, desconfiado e de pensar por mim, angariando o que de melhor compõe as outras opiniões, não vou deixar de errar e de aprender com isso. Afinal é disso que a ciência vive, e é para a ciência que desejo viver.

Para acabar só quero fazer alguns pedidos a quem ler este desabafo (se alguém ler): se és meu colega, aluno, pensa por ti, dá a tua opinão, contradiz, lê mais do que as páginas do manual que o professor mandou ler, não tenhas medo de errar, de ser tu mesmo. Tu consegues.
Aos professores: abram-se, não tenham medo de aprender, não tenham medo de por momentos não seguir o programa. Ajudem a formar um Mundo melhor, capaz e auto-suficiente.

P.S.: Não poderia finalizar sem deixar aqui o videoclip dessa grande música que deu o mote a este texto.


Domingo, 2 de Setembro de 2007

A Joana e a Maddie

Com a devida vénia transcrevo de http://jumento.blogspot.com/2007_08_01_archive.html o seguinte texto para reflexão:



"A Joana era algarvia, a Madeleine era inglesa. A Joana era uma menina trigueira e mal vestida, a Madeleine era loura e bonita. A Joana não sabia o que eram férias, a Madeleine fazia férias na terra da Joana. A mãe da Joana era uma trabalhadora doméstica, a mãe da Madeleine é médica. A Joana tinha um padrasto, a Madeleine tinha uns pais exemplares. As duas crianças desapareceram de locais que ficam a meia dúzia de quilómetros de distância, mas separados por um imenso mundo.

No caso da Joana ninguém colocou a hipótese de rapto, da mesma forma que no caso da Madeleine ninguém imaginou o homicídio como hipótese provável. Olhava-se para a mãe da Joana e percebia-se logo uma assassina, olha-se para os país da Madeleine e percebe-se logo o sofrimento de pais cuja filha foi roubada. A mãe da Joana queixou-se de ter sido alvo de agressões por parte da PJ que alguém justificou com uma queda, a mãe da Madeleine tem direito a reuniões semanais para ouvir explicações da PJ e quando algo não lhe agrada exige a antecipação da reunião.

Se à mãe da Madeleine faltasse uma mão seria deficiente física, a mãe da Joana seria maneta."

Clã


Foi com uma plateia, infelizmente, um pouco despida que os Clã entraram, ontem, em palco, para o primeiro grande concerto da XII Feira da Maçã, do Vinho e do Azeite, em Carrazeda de Ansiães.
Com a entrega que lhes é conhecida, brindaram o público presente com uma setlist mista de sons do novo álbum (a ser Lançado em Outubro) e de velhos êxitos, cantados em uníssono por muitos espectadores mais entusiásticos.
Quanto a Manuela Azevedo, em particular, foi mais uma vez uma verdadeira frontwoman, cruzando a beleza e força da sua voz com a atitude e desinibição de uma actriz (que acaba por ser), tantas vezes demonstradas pelos seus movimentos corporais e pela forma exuberante como, durante todo a actuação, namorou o par de microfones, fazendo também uso de vários instrumentos, como as maracas ou o sintetizador.
O pouco público presente demorou a chegar-se à frente, mas após um pedido da vocalista, eis que as pessoas se aproximaram do palco e começaram a cantar e saltar mais efusivamente, pedindo, pouco antes do final do concerto, o regresso da banda ao palco, que se havia de concretizar após a paragem da praxe.
Durante o concerto, várias foram as referências feitas pela Manuela à Oficina de Letras, actividade no âmbito da qual ela e o Hélder Gonçalves (baixista) visitaram o nosso concelho, comunicando aberta e descontraidamente com adolescentes e adultos na Biblioteca Municipal e, num périplo pelas escolas do concelho, com alunos do 1º Ciclo.
Voltando à música propriamente dita, foi curioso apreciar os novos arranjos musicais que canções como “O Meu Estilo” ou “GTI” sofreram, estão mais eléctricas, e arrisco: mais electrizantes, tal como todo o concerto, que mostrou que a banda está cheia de força para o arranque da digressão do novo álbum.

P.S.: Não poderia referir a Oficina de Letras sem, em meu nome pessoal e de muitos outros participantes, agradecer aos grandes promotores desta acção: a Câmara Municipal de Carrazeda de Ansiães, na pessoa da Dr.ª Natália Pereira, e ao Dr. Vitorino Almeida Ventura. Para eles um, sincero e sentido, obrigado.

Sexta-feira, 10 de Agosto de 2007

Comercial TM

Mais do que nunca é o comércio que regula a música, assim como outras formas de arte, mas hoje vou-me “limitar” à música.

É com profunda tristeza que vejo multinacionais discográficas dispensar grandes nomes (veja-se o caso da EMI com Sérgio Godinho) para apostar em bandas “plásticas”, de sucesso fugaz, mas que movem multidões durante um ou dois álbuns, normalmente separados por um curto espaço de tempo. Não vão as pessoas esquecer-se deles.

É assim que se vive hoje. Desprezamos o “certo e bom” e corremos atrás da moda: as empresas discográficas vendem discos, as empresas do têxtil vendem roupas, calçado e acessórios, a imprensa vende revistas e posters…E nós temos de ouvir e ver tudo isso, queiramos ou não. São as crianças, alegremente vestidas com roupas iguais às da menina que “dança tão bem”, são os adolescentes que carregam orgulhosamente correntes e pulseiras de picos, sem sequer saber o significado de tais adereços ou o nome das bandas que originaram o movimento Punk, quanto mais a sua história. E o que mais me confunde é ouvi-los dizer que gostam mesmo é de hip-hop e que o rock não passa de barulho. Mas quem olha para eles…

Já lá vai o tempo em que, associado a um género musical, não havia um estilo, mas uma atitude. A nossa sociedade precisa de encontrar isso mesmo: uma ATITUDE.

Para outra altura ficarão os fãs que só o são porque o líder de determinada banda se suicidou ou morreu de overdose, mas, tal como já referi, isso ficará para outro dia.

Também nas rádios se verifica uma corrida ao que está na moda, às bandas de novela, às bandas em que as editoras apostam forte, para deitar fora pouco depois. Não sei se é problema meu, mas tenho a sensação de que grande parte das rádios mais ouvidas em Portugal têm “listas de reprodução” muito idênticas, que são repetidas, dia após dia, até que surge um novo “fenómenos” musical que ocupa os emissores nos dois a três meses seguintes. Mas, “é disto que o meu povo gosta”, como diria o saudoso Jorge Perestrelo.

Salvam-se algumas rádios locais e as emissoras estatais, com especial destaque para a Antena3, no que ao que se vai fazendo por cá diz respeito. Antena esta que esteve recentemente em risco de cessar funções, exactamente porque não lhe era reconhecido o tão importante “cariz de interesse público”.

Ao tempo que não ouço Pink Floyd na rádio…E Ornatos Violeta?... (Suspiro)

São os lobbies do comércio mundial que nos alimentam os ouvidos, o nariz, os olhos e a boca. São eles que escolhem o que vestimos. São eles o nosso “Big Brother”…

Vamos fugir!

Para onde?!

Quarta-feira, 1 de Agosto de 2007

Sábado, 21 de Julho de 2007

Hoje Escrevi uma Letra


Vivemos um dia de cada vez,
sem pensar no Futuro.
Não há futuro.
Acabou.
Não sei se chegou a haver início,
mas houve um fim.
Brincamos, cantamos e dançamos.
Não há última vez...

(Refrão)
(2x)Eu quero rir, quero ser junto a ti.
(2x)Juntos somos muitos mais que nós.

A Lua.
O Sol que se esconde atrás das nuvens.
O brilho de quem sorri...
Como nós...
Não penses que vai acabar,
deixa-me sofrer só.
Não é longe,
mas custa chegar lá.
É difícil.
Adormeço.
Não sei por onde passei,
mas quero passar lá outra vez...
E outra...
Não quero apenas sonhar...
Bamos andar à porrada?!

Alexandre Quinteiro



Letra cuja música deve ser imaginada na onda de Linda Martini, riffs profundos, voz a sair do fundo do coração...música que faz chorar...


À Diana, à Mónica e à Rita.

Quinta-feira, 12 de Julho de 2007

This Mess We're (not) In

Enquanto lia um excelente texto de Roberto Moreno Tamurejo no blog Pensar Carrazeda, o media player trouxe-me uma música especial: This Mess We're In, Pj Harvey e Thom Yorke.

Dois mundos. Dois mundos muitos diferentes.

A adaptação a Carrazeda de Ansiães de um lado, a melancolia nova-iorquina de outro. Melancolia nova-iorquina? Não percebo.
Sim, duas pessoas, um homem e uma mulher, tudo o resto, é-lhes indiferente.

Por vezes apetecia-me trocar de mundo, sair para o barulho, não de férias, não como emigrante, mas nascer de novo, cidadão de uma grande cidade da Terra. Não como emigrante pois o que mais me atrapalha não é a ideia de me adaptar (isso para mim é fácil), mas sim a forma como os outros olhariam a minha adaptação.

Mas por outro lado, amo o meu Mundo. Amo a minha Carrazeda de Ansiães, gosto de mostrá-la aos outros Mundos.

Pode ser pequena, calma demais, quente no Verão e fria no Inverno. Mas é minha...e eu gosto de gostar dela!

Terça-feira, 10 de Julho de 2007

"Cão!" Vs. "O Monstro Precisa de Amigos"

É-me impossível dizer se gosto mais do "Cão!" ou do "Monstro" pois eles não fazem sentido por si só. Temos uma estória que começa num e acaba no outro, um amor cantado, que não se pode dividir.

Penso que não é fácil compreender o "Monstro" sem primeiro dissecar o "Cão!", mas ainda assim, não é tarefa fácil compreender tudo acerca destes dois albúns, eu pelo menos ainda não percebi algumas coisas e essa é uma das características da escrita do Manel: Não podes ouvir por ouvir e sacar a mensagem à primeira, tens de encarnar naquele "Débil Mental" ou naquele "Capitão Romance" e vivê-lo, sentir a estória por dentro, não apenas observar.

Deveras, duas obras primas indissociáveis.

Música Vs. Religião

Quando lia um artigo na Super Interessante acerca da relação da ciência e cientistas com a religião, não pude evitar estabelecer um paralelismo com a música. Decidi ver mais e andei a pesquisar acerca do tema, deparando-me com um excelente artigo que se pode resumir da seguinte forma: "O uso da música pela religião e a procura de inspiração em terreno religioso pela da música não necessitam mais ser demonstrados. Há séculos que a relação entre esses sectores é tão próxima que dificilmente acreditamos que um possa ter existido sem o outro.", Etienne Damone

Esta senhora acaba por ter quase toda a razão, pois desde os primórdios da existência destas duas "drogas" que elas estão associadas, inspirando-se uma na outra. Mas nem sempre a música e a religião são aliadas. Muitas correntes e estilos musicais surgiram contra os ideais religiosos, apontando-lhes os defeitos e apelando à mudança de um Mundo maioritariamente crente; por sua vez, outros estilos musicais têm sido fortes pilares da Igreja, como o Gospel.

Actualmente, e ao contrário do seu antecessor, o sumo pontífice da religião católica assumiu um papel muito mais crítico relativamente à música, acusando o rock de querer falsamente «libertar o homem por um fenómeno de massa, perturbando os espíritos pelo ritmo, o barulho e os efeitos luminosos» e de ser uma «expressão de paixões elementares que, nos grandes concertos musicais, assumiu carácter de culto, ou melhor de contra-culto que se opõe ao culto cristão» e a ópera de ter «corroído o sagrado».

Tal como a ciência, muitas vezes a música e a religião são incompatíveis na hora de se dizer a verdade, no momento de pôr a nossa existência a nu.

Segunda-feira, 9 de Julho de 2007

Acho que hoje é Segunda e não dormi nada.
Dizes que sim.

Fazes-me mal.Quero afastar-me de ti.
Mas não deixas.

Pára, por favor.

Quando esqueço o mal que me fazes e te tento agarrar, tu escapas por entre os meus dedos.
Mas continuo a ver-te em todo o lado, "nas casas, nos carros, nas pontes, nas ruas"...



Estou, cada vez mais, farto de ti...



Domingo, 1 de Julho de 2007

Sexta-feira, 29 de Junho de 2007

Diz que é uma espécie de jornalismo...

Leiam a única "notícia" (se assim lhe podemos chamar) que o JN de hoje continha acerca do ínicio do Super Bock Super Rock.

"O primeiro dia da 13ª edição do festival patrocinado pela melhor cerveja da Península Ibérica foi um sucesso a nível de adesão de público. Mesmo sem números oficiais, estima-se que mais 35 mil pessoas compareceram no Parque Tejo. Grande parte delas seduzidas pela presença dos Metallica. Mas foi preciso esperar - e muito - pela chegada dos grandes senhores de "Kill'em All".

A meio da tarde, a primeira banda causou logo espanto - e isso tanto pode ser bom como mau. Os Men-Eater laboraram um amontoado sonoro capaz de provocar turbulência no ar ao ponto de quase impedir os levantamentos e as aterragens dos aviões no aeroporto da Portela que ali fica perto. O vocalista não cantou - emitiu uns grunhidos num idioma imperceptível. O JN passou 17 minutos a tentar perceber se o homem adoptava a língua portuguesa, inglesa ou o aramaico. Infelizmente, não chegámos a qualquer conclusão e, como tal, pedimos desculpas aos nossos leitores.

Mais do mesmo

Sem demoras, seguiram-se os More Than a Thousand, outros da mesma casta. Os guitarristas abanavam o tronco e cabeça como se enxotassem abelhas alojadas no cerebelo. Desconhece-se se terão uma grande carreira pela frente. Todavia, caso a banda se dissolva, os seus membros terão futuro garantido como sonoplastas de filmes de terror ou de documentários sobre animais selvagens para a National Geographic. O mesmo se aplica aos Mastodon e aos Blood Brothers - ainda que estes últimos tenham mostrado, aqui e ali, bons apontamentos de electro-metal (seja lá o que isso for). Dos Mastodon e Stone sour nem vale a pena falar pura banalidade.

Enquanto a noite chegava, dilatava a ansiedade para ver os irresistíveis Metallica, de longe a banda mais apetecível do arranque do Super Rock. Mas isso só aconteceria depois do fecho desta edição e, momentos antes, fomos obrigados a suportar tortura. A sério. Por causa de Joe Satriani.

Segundo as nossas contas, em Março de 1972, Joe Satriani tinha 16 anos. Foi nesse mês que a NASA lançou para o espaço a sonda Pioneer 10, o primeiro objecto construído pelo homem a sair para fora do sistema solar rumo a uma viagem sem retorno. Ora, importa levantar uma questão quem foi o responsável pelo facto de Satriani não ter embarcado na dita sonda? Convém apurar responsabilidades. Satriani ficou na Terra. E as consequências, hoje, são gravíssimas: ele é o músico mais chato da troposfera.

Que lugar para Paredes?

Ontem, no palco Super Rock, isso foi bem visível. Satriani? Nele tudo merece ser desancado do exibicionismo virtuoso ao onanismo guitarrístico. Os seus dedos esquadrinham o braço da guitarra para erigir nada mais do que uma maçada exorbitante, uma estopada inaturável vinda de quem privilegia a técnica e se olvida da imaginação - e o Super Rock, até ver, não é um festival de ginástica. Os fãs gostam de apregoar o facto de Satriani ser "o 7º melhor guitarrista de sempre". E que significa isso? Ninguém sabe. Aliás, em que lugar ficou Carlos Paredes nessa lista? Ninguém sabe.

Sejamos realistas é menos nocivo para a saúde ver sete concertos seguidos dos Judas Priest (ou até oito) do que uma hora de concerto do Satriani. De certeza que a música de Joe Satriani faz mal às àrvores - proíbam-na! Livrai-nos deste jactancioso para que doravante não mais cá venha semear o tédio. Como se tudo isto não bastasse, Satriani é ainda caudaloso na azeitona espremida."

Cristiano Pereira




Para que não restem dúvidas:

JOE SATRIANI

Terça-feira, 26 de Junho de 2007

Heróis

Um herói deveria ser muito mais do que um trepador de paredes...

O Amor é Não Haver Polícia - Linda Martini

"Sentimos no ar a melodia etérea. É a nossa música.
Cantamos e dançamos como se fosse a última vez, o
último olhar, o último toque, o último beijo.
Estás linda.
O teu vestido, da cor do vinho que enche os copos,
aquece o chão que pisas e relembra a razão. Todas as
razões.
Diz-lhe para parar aqui. Eu queria tanto parar aqui.
Os olhos param em ti e em mim, enquanto preenchemos o
espaço vazio, impossivel de preencher por alguém que
não nós. Não pedimos o fim, mas não nos importamos se
acabar assim.
Diz-lhe para parar aqui. Eu queria tanto parar aqui. O
mundo é grande e em todo o lado se vive. Diz-lhe para
parar aqui, vivemos em caixas de fósforos. Não
sopres.
Se as mãos pudessem dizer por mim.
Eu queria tanto parar aqui.

Pára."


Linda Martini: Rock Catártico

"Amar uma banda é um desgrenhar da alma. Ouvir o primeiro acorde e desatar num arrepio. Segurar por vergonha, sozinho no quarto, uma lágrima que se precipita vertiginosamente para uma barba cada vez mais cuidada pela idade. É, quando escritor, as mãos demasiado trémulas a pousar no teclado: porque eles podem ler! Uma receita tipicamente minhota que nos senta o estômago à cadeira, enquanto se conversa com a senhora de olhos enrugados, que escuta com o gosto de quem nos vê deliciar com a gastronomia que aparelhou, e antes de si já a sua avó.

O relógio pára numa plataforma de algodão suspensa sobre o mar e os pés perdem a forma obtusa dos ossos das pessoas que trabalham com os dentes. E dos dedos fazem-se calorosos balões de salsugem a sair para o azul das ruas. Os cadáveres das gentes sublevadas insurgem-se sobre mim e formam-me uma bola encanada na barriga dos beijos do meu amor. As costas curvam-se para a frente do sol, que explode num dilúvio dadaísta de narizes colados em espirais amarelas, que se expõem, sérias, na galeria das águas. E é Henry Miller quem aponta: Olhos de Mongol.

É «aquela empatia que existe quando conheces uma pessoa, estás a falar com ela pela primeira vez e há uma energia no olhar, toda aquela ligação um bocado inexplicável», desintrincam os Linda Martini à Blitz. Mas dúvida não havia, mesmo para quem não conhecia a expressão do norte-americano, autor de Trópico de Câncer. Não se apanha o comboio por acaso para esta primeira longa-metragem do quinteto lisboeta: a edição, em 2005, de um Promo homónimo lançava a missiva Amor Combate (expressão do poeta Joaquim Pessoa), que fez boom! nos corações do bom gosto. Agora é abrir os braços: «Partida para ganhar, partida de acordar, abrir os olhos, numa ânsia colectiva de tudo fecundar, terra, mar».
Este é um disco forte. Pesado. Um Caravaggio dos tempos modernos inscrito nas paredes ondulantes de uma pauta. Um objecto não só incauto – como as crianças felizes – e de sublime beleza e insurreição, como já organismo de culto e elevação desta e das gerações futuras. Não se trata apenas de melómanos, ou dos seus aprendizes, mas de pessoas apertadas pelo pescoço, esganadas na sua apreciação apaixonada de uma peça, que chamaremos de arte pelo que está para trás na frase. Poderíamos guardá-los nas gavetas do Rock, do Punk, do Noise, de uma miscelânea atordoada, mas o lugar que lhes guarda este comentário é o chão curto e divinizado que pisam os artistas.


Um preâmbulo de raiz electrónica a fazer o eixo Islândia-Japão, Sinto a Cabeça Cair, não chega sequer a servir de aviso à aterragem da enérgica Cronófago (termo utilizado por Goethe a propósito dos devoradores do tempo alheio). Primeiro single retirado do trabalho, o tema é rápido, incisivo, e acolhe bem em si toda a hermenêutica do álbum. Não há saída: Olhos de Mongol é já tão intrínseco que se confunde com os movimentos do corpo. Dá-me a Tua Melhor Faca é precisamente orgânico – ou pelo menos doseia, pela primeira vez no disco, em graves proporções esse carácter inexpugnável dos Linda Martini.
José Mário Branco assina o poema seguinte, em Spoken Word: Partir Para Ficar: «Mãe, eu quero ficar sozinho./ Mãe, não quero pensar mais./ Mãe, eu quero morrer mãe./ Eu quero desnascer, ir-me embora». E FMI lá pelo meio, no sumo, no livro, na génese. Dois nomes me surgem, inevitavelmente: Mão Morta – mas melhor – e Al Berto – mas não ele. Estuque é uma nuvem a confirmar melodias de um azul incorporado no verde florestal das liberdades cimentadas pelo odor. O Amor é Não Haver Polícia e Quarto 210 são fotografias amantes, tristes e encantadoras – uma corrosiva, outra enfraquecida nos músculos. Amor Combate é a única canção a saltar do registo anterior e falta-lhe a força do original, a revolução imperativa dos samples estridentes – ou é o coração que não permite que troquem assim, barato, amores por outros, mesmo que clones. A finalizar está aquela que, emotivamente, poderia apelidar-se de melhor construção do álbum: A Severa (ver de perto).


André Henriques (voz e guitarra), Cláudia Guerreiro (baixo), Hélio Morais (bateria), Pedro Geraldes (guitarra) e S. Lemos (guitarra) fazem os Linda Martini. A editora que carimba Olhos de Mongol é a NKD."

Hugo Torres 2007

Quinta-feira, 21 de Junho de 2007

Terça-feira, 19 de Junho de 2007

6º Festival de Música Medieval de Carrazeda de Ansiães

Na primeira quinzena de Julho a vila de Carrazeda de Ansiães, Bragança, vai acolher a 6.ª edição do Festival de Música Medieval, com concertos em três igrejas do concelho e no Centro Cívico de Ansiães.

Com direcção artística de Pedro Caldeira Cabral, o evento conta com a participação dos grupos La Batalla, Ensemble Amadis (França), Media Vox Ensemble e Amar Contra o Silêncio.
Correio da Manhã



«A canção "H2omem" dos Clã tem, desde ontem, quase mais uma centena de fãs. São alunos do 1.º Ciclo do Ensino Básico de Carrazeda de Ansiães. Ficaram rendidos à interpretação a cappella e à encenação do tema, com que Manuela Azevedo, vocalista da banda portuense, os presenteou no final de uma sessão de poesia e explicações diversas sobre o valor da palavra e de tudo quanto se pode fazer com ela.(...)
No domingo, Manuela e Hélder foram os convidados da Oficina de Letras promovida pelo seu amigo e professor Vitorino Almeida Ventura, natural do concelho mas radicado no Porto. Foi uma espécie de mesa-redonda com músicos e autores a debater com o público letras de canções, e que também já contou com a presença do letrista Carlos Tê.
Ao contrário da véspera, Manuela Azevedo confessa que ontem ficou um pouco "atrapalhada" quando soube que ia falar sobre poesia a crianças - e de tão tenra idade. Mas concede que "até correu bem", afinal "eles merecem ser considerados mais interessados do que às vezes se pensa".(...)
Claro que se pensava que ia embora sem cantar um dos clássicos da banda, enganou-se. Os miúdos pediram e insistiram "Cante, cante, cante..."; Manuela Azevedo fez-lhes a vontade, apesar de saber que sente a falta da companhia dos músicos. Pensou na melhor para as condições que o momento exigia. E achou-se a ideal: "H2omem", canção que vive de coreografias sobre uma letra, um número e um corpo. Todos acompanharam. Todos bateram palmas. Todos gostaram. Como bónus do bónus houve ainda outra : poema cantado da "Cultura" de Arnaldo Antunes, o brasileiro dos Tribalistas. Houve perguntas "Também consegue cantar com a boca?" saiu da plateia. "Como?!". (...)
"E quando é que vêm cá tocar a sério?", tornaram eles. Manuela Azevedo anunciou que os Clã voltam - "e todos" - a Carrazeda de Ansiães no dia 31 de Agosto, durante a Feira da Maçã, Vinho e Azeite. Será o segundo concerto da digressão do novo disco, que começa dia 24 do mesmo mês, nas noites Ritual Rock do Porto. Esta foi a primeira vez que Manuela Azevedo participou numa iniciativa com gente tão nova. Gostou da experiência e não excluiu outras. "Sempre que possa não me importa nada. É um privilégio estar com crianças". Sobretudo para falar do prazer da leitura, da escrita e dos sentidos da palavra, à margem da obrigação escolar.
Novo disco sai em Setembro
Acabado de gravar na semana passada, o novo álbum dos Clã estará nas montras no final de Setembro, princípio de Outubro. (...) A seguir vem outra ambição: entrar em Espanha. "Pode ser interessante", ou pode "ser só uma aventura", diz Hélder Gonçalves.» Eduardo Pinto in Jornal de Notícias

Sérgio Godinho

Foi com muita pena que, no último Domingo, soube que o Sérgio Godinho tinha sido dispensado da EMI Music Portugal, consequência de um processo de restruturação da editora multinacional, juntando-se assim a nomes como Mesa, Souls of Fire, Jacinta e a fadista Aldina Duarte, que sofreram também com a passagem da soberania administrativa e financeira da EMI Music Portugal para Espanha.

Fico triste, mas sei que tanto o Sérgio como os outros artistas referidos não terão dificuldade em encontrar outra editora, e manterão assim o sucesso que vem marcando as suas carreiras.

Mas a maior tristeza estava para vir. Eu sabia que o meu país era habitado por vários tipos de pessoas, mas nunca pensei que muitas fossem capazes de tal despautério. Como muitos de vocês saberão, sou utilizador do fórum da revista Blitz, onde hoje foi publicada uma notícia que dava conta do referido acima, fiquei aterrado quando li comentários à notícia como os que passo a citar:

"Quem é que se mostra minimamente interessado pelo Sérgio Godinho? Me, I'm Not.", por MikeMcCready

" Este e o Jorge Palma já podiam era abrir um negócio em qualquer lado e deixarem de nos massacrar com atentados musicais...", por DeMolay

"penso que o Sérgio Godinho é daqueles artistas que fica bem dizer que se gosta só porque os mais iluminados vêm nele aquele grande artista que na realidade não é.", por sonik73


A sério que isto me entristece. A EMI é quem fica a perder, mas tudo isto serviu para eu me mentalizar acerca do país que temos...

Domingo, 17 de Junho de 2007

Oficina de Letras: Operação Clã

Cheguei à Biblioteca Municipal e encontrei dois membros dos Clã, muito bem-dispostos, a Manuela e o Hélder.


Mais tarde, e infelizmente com pouca gente na sala fazendo jus à desertificação, deu-se início a uma conversa descontraída, muito bem dirigida pelo Rui e pela Lara. Do significado de um verso às etapas da produção passando pelos sentimentos inerentes à arte, falou-se de quase tudo à volta da música e por várias vezes a conversa divagou por campos como a evolução social do país e do Mundo, entre outros.

Agradável, muito agradável e enriquecedor, pena que muitos dos que se queixam de falta de oportunidades não saibam aproveitá-las...

Fiquei contente pela próximidade que o baixo número de assistentes possibilitou, mas entristece-me ver que os meus conterrâneos não aderem às excelentes iniciativas que lhe são proporcionadas. Daí que não seja motivo de admiração quando um dia estas deixam de existir...mas "são carris que me prendem aqui"...

Se bem que...

Criei este blog porque já estava farto do outro. Só isso...

Já que criei este blog tentei fazer algo que fosse diferente do que vinha fazendo até aqui, mais pessoal, com o teclado mais próximo do peito, não porque tenho lá o coração, mas sim porque é lá que melhor se sente a respiração, o ritmo da vida, o compasso da nossa existência. Os sentimentos não moram no coração, ele apenas bombeia o sangue de forma a...(vou evitar entrar no domínio da anatomia)...os sentimentos estão alojados na nossa cabeça, no nosso centro de operações.

Já que o blog estava a andar, decidi publicitá-lo, e continuarei a fazê-lo. Aqui entra a parte má da estória: deixou de ser pessoal...

Não é assim tão mau, afinal quem quer um diário a sério não vem escrever para uma rede global, só(???) se perdeu um pouco da magia...

Sábado, 16 de Junho de 2007

Débil Mental

É que eu não sou um débil mental,

Eu posso estar errado ou ter agido mal,
Mas pago o preço que eu tiver de pagar,
Se for pra tal eu sofro só.
Se não te agrada a forma de eu falar,
Acorda e vê que eu cago pró teu não gostar.
Se as minhas calças,
Parecem de um pijama,
Da próxima vez eu saio como entrei na cama.

Só me agrada ser quem quero,
Longe de uma falsa situação.

Masturbação,
Não fica só pela palma da mão.
E é tão mau,
Se a dita V.I.P. fala caro e faz pensar que eu sou vulgar.
Eu sou,
Só não aguento,
É que ela diga tanta prosa e seja só ar,
E nem o ar é puro!
Hipocrisia é mal que eu não suporto,
Pior até que o não pensar.
Mas a verdade é que eu não sofro pelo mal,
Mas pelo meu bem.

Diz meu mal ou leva-me à razão.
Quero andar por fora do que eu sou,
Deixar o tempo ver,
Do que é capaz.

Sobre o que gira à volta já falei,
Contudo há certas coisas em que eu não pensei,
Se o meu destino é negro ou claro,
Quem vai dizer nada muda em nada tudo o que eu pensei fazer.
O mundo não é nada,
Nada à minha beira,
se tudo o que acredito já não está preso à cadeira.
E tudo o que eu faço é pensado em mim,
No fundo eu sei que toda a gente acaba sendo assim.

Diz meu mal ou leva-me à razão.
Quero andar por fora do que eu sou,
Deixar o tempo ver,
Do que é capaz.

Não vejo nada contra o infalível,
Fala bem fala a minha língua,
Que eu não sou tu,
Homem de afectação,
Beija-me o cu,
Livra, livra já não posso mais ouvir!
É tanta coisa fora do normal,
Procuras água no deserto.

Quem sabe até nos faz bem.
Eu sou mais eu sem ninguém.
A minha vida não tem nexo,
Dar-lhe um rumo é dar-lhe um fim.
Meu bem dói ou não,
Não eras tu contra a traição,
Quem evitou,
Por fim o mal,
Não foi a pura mas o débil mental!

Só me agrada ser quem quero,
Longe de uma falsa situação.

Só me agrada ser quem quero,
Longe de uma falsa situação.

(São) quem são e em nada são iguais,
Quem é mais?
Há que eu saiba um ponto igual em nós:
Sermos tão desiguais!

Manuel Cruz


Sam o Miúdo and Patrão AC

Não tenho nada contra os rapazes. Absolutamente nada. Mas continuo extremamente confuso relativamente àquilo a que chamam "Hip-Hop Tuga".

Sam the Kid e Boss AC são apenas alguns daqueles que "defendem" a nossa língua e o desenvolvimento musical de Portugal em detrimento da fuga para outros mercados culturais, nas suas letras ouvimos acérrimas críticas aos que, renegam à sua língua materna na sua arte. Mas então e eles próprios? Para mim não existe Hip-Hop totalmente "portuga" enquanto estes senhores, e outros, não deixarem de meter expressões inglesas nos seus versos e enquanto não mudarem os seus nomes artísticos para "Sam o miúdo" e "Patrão AC".

Não que eu tenha alguma coisa contra os portugueses que cantam noutras línguas, não imagino sequer algumas dessas bandas a cantar em português, mas esta defesa da "portugalidade" parece-me um pouco falsa, enquanto assim for...

Segunda-feira, 4 de Junho de 2007

O homem que vendeu o Mundo (O Reboque Parte I)

Quando ouço a "The Man Who Sod The World" (versão Nirvana) lembro-me, inevitavelmente de um nome, de uma cara, de uma casa, de uma bandeira...

Sim, esse senhor tem feito muito mal ao nosso mundo, mas ele foi eleito, alguém deu uma granada a uma pessoa sedenta de destruição, alguém, que hoje muito se queixa, deu uma arma a alguém que hoje acusa de ter usado essa arma, de ter vendido o mundo, das mortes daqueles que prendeu para morrer e dos que soltou para matar...

Isto leva-nos a uma discussão à volta dos interesses políticos e económicos que hoje regulam o trânsito intestinal dos governos de países menores, como Portugal, o meu querido país que não é mais que um reboque, é isso, encontrei a palavra certa. Um reboque que anda atrás das grandes economias, não no intuito de as apanhar, mas sempre de as seguir, para o bem e para o mal.

Analogia "tipo-escola-primária":
O Mundo é a Terra. A Terra é o meu lugar. O meu lugar é o meu país. O meu país é o meu bairro. O meu bairro é um carro bonito. O meu carro é um reboque. O Mundo é um reboque dele mesmo...



P.S.:Sei que escrevi um texto onde só digo mal e não dou idéias para melhorar seja o que for, mas hoje sinto-me assim...

Quarta-feira, 30 de Maio de 2007

Live Earth em Portugal?

O Live Earth pode passar por Portugal.

A notícia é avançada pela edição de hoje do DN, que refere que o evento criado por Al Gore, deverá realizar-se também em Lisboa, no Pavilhão Atlântico. O jornal avança ainda que está prevista uma reunião, esta Quinta-feira, para decidir se Portugal será ou não incluido na rota do mega-festival, que se realiza a 07 de Julho em vários pontos do globo.

Inspirado nas edições do Live Aid (1985) e do Live 8 (2005), o Live Earth decorre simultaneamente em Londres, Xangai, Joanesburgo, Sydney, Hamburgo, Nova Jérsia, Rio de Janeiro, Chiba, Quioto, Istambul e Bucarest (cidades confirmadas até ao momento) e conta com a participação de várias estrelas da pop, entre as quais Madonna - que compôs o tema 'Hey You', propositadamente para o evento -, Police, U2, Red Hot Chili Peppers, Smashing Pumpkins, Kanye West, Dave Matthews Band, Oasis e Kylie Minogue são alguns dos artistas que participam na iniciativa.

O Live Earth será transmitido em directo por várias estações televisivas um pouco por todo o mundo, onde se inclui a RTP.

Elfland

Os Elfland surgiram em 2003 na região de Espinho/Porto. Após um longo processo de composição e de várias alterações na sua formação, surgem em 2006 para divulgar o seu trabalho. Para o efeito contam com um EP homónimo, composto por quatro temas - Moil ; My Contradictions ; Put On The Lights ; I'm Still Calling You - cujos temas Moil e Put On The Lights já rodaram em algumas rádios nacionais. Este EP vem servir de cartão de visita, mas representa apenas uma pequena amostra do vasto e ecléctico reportório que a banda tem vindo a desenvolver ao longo destes três anos.
As suas influências vão desde o rock ao jazz, passando pelo swing, música alternativa, étnica, psicadélica, entre muitos outros estilos e ambientes.

Após diversas actuações pelo país, a banda encontra-se, actualmente, a trabalhar em novos temas e arranjos para a gravação de um álbum e apresentação a editoras.
A actual formação da banda surgiu em Novembro de 2005 e conta com a participação de Susana Ribeiro (voz, guitarra, piano e sintetizador), Celso Miguel (guitarra), Nuno Gaspar (sintetizadores, samplers, melódica e flautas), João Leitão (baixo) e Nascimento (bateria)

Visitem o Site Oficial para os ficarem a conhecer melhor, e aproveitem e ouçam alguns temas no MySpace da banda. Isto prova que para termos boa música e em grande variedade escusamos de sair do nosso pequeno jardim à beira-mar plantado!

Já agora, no próximo Sábado (2 de Junho) às 23h00 os Elfland vão tocar na Sociedade Harmonia Eborense.

Por Akired (13ª Arte).

UMA BANDA A DESCOBRIR!

Terça-feira, 29 de Maio de 2007

Entrevistas LxJovem

LINDA MARTINI



CSS


BLOC PARTY (Matt)


PLUTO


INCUBUS (Mike)


TOOL


MOONSPEL (Fernando Ribeiro)


MASSIVE ATACK


SOULFLY (Max Cavalera)

Domingo, 27 de Maio de 2007

"Hoje preciso de um pois, preciso de um sim. O que é que queres de mim, hoje sinto-me assim."




Lembranças

Há dias decidi ver o Preço Certo em Euros.
Reparei que raro era o concorrente que não levava um "camião" de lembranças para o apresentador e primos. Bonés, t-shirts, vinho, artesanato, comida já prontinha em caixas herméticas, entre outras lembranças.
Reparei, também, que quase ninguém ganhou algo que valesse mais do que 100€, menos do que o que a maior parte gastou em lembranças, transporte e alimentação. Afinal, qual é o objectivo do jogo? Parecer bem? Aparecer na televisão? Ganhar algo?

Mas o que me entristeceu imenso foi a expressão de um dos concorrentes, desempregado, cuja situação financeira (confimado por ele) não era das melhores. Ele não ofereceu nada, mas também não tinha de oferecer fosse o que fosse. O senhor estava com a lágrima no canto do olho. Sentir-se-ia, por ventura, diminuido. Estava pesaroso, triste.
Mas algo me entristeceu ainda mais, o comportamento do apresentador face a esse concorrente, não digo que tenha sido voluntário, mas tratou-o de forma diferente. Só não viu quem não quis ver...

São coisas destas que me entristecem. Não importa se o Benfica é campeão ou se os White Stripes venderam muitos ou pouscos discos. Importa o olhar triste daquele senhor...sem culpa...


Sábado, 26 de Maio de 2007




"Com a idade que tenho, sei que tenho o meu pequeno mundo. Mas este mundo grande é todo da minha filha e não quero que estes políticos idiotas dêem cabo dele. O mundo com que estão a brincar é o dela – por isso, agora estou lixado."



EDDIE VEDDER

Domingo, 13 de Maio de 2007

Fico f***** com isto...

Muito se tem falado do desaparecimento da Madeleine. Tenho pena e raiva.

Mas há também outras coisas que não se deviam fazer, ou, se se fazem, deviam fazer-se mais vezes.

Agora são os motards a juntar-se à festa. E é disto que eu discordo. Por duas razões:

1) Quando se diz "Um grupo de 26 motards da Praia da Luz propõe-se, se a menina não for encontrada até à primeira semana de Junho, a percorrer todo o Interior do País a distribuir imagens de Maddie.", eu pergunto: PORQUÊ O INTERIOR?, serão tão incultos estes motards para não saberem, sequer, que no interior do país há internet? televisão? jornais?, quererão eles participar nesta iniciativa humanitária por vontade de ajudar ou apenas para menosprezar as gentes do interior e vangloriar-se pela forma como têm sido favorecidos pelos sucessivos governos?

2)Estarão eles nisto para ajudar a encontrar a Madeleine ou para salvar o turismo da região? Não é por nada, mas estão oito portugueses desaparecidos e a única volta a Portugal que tenho visto no últimos anos é a Volta a Portugal em Bicicleta...

Tenho dito.





E ela...

Sexta-feira, 11 de Maio de 2007



Encontro nos Ornatos tudo aquilo de que mais gosto em muitas bandas, o melhor de cada uma delas. Das guitarradas do Peixe aos poemas do Manuel Cruz, que despontarão, decerto, alguma inveja em poetas galardoados dos quais agora tanto se tem falado, pois, embora implícita, a melhor poesia explicita-se na música que só alguns sabem fazer. Os Ornatos sabem-no melhor que ninguém. Todos os dias questiono o meu eu mais profundo acerca dos motivos do fim. PORQUÊ?

Mudemos de assunto. Gosto dos Pluto têm uma onda mais...diferente. Mas Ornatos são Ornatos. E contrariando a lógica: são insubstituíveis.

Ressuscitem!!!!

E, citando Vitorino Almeida Ventura, termino:
"Literalmente, um dia para projectos interessantes.
Ornatos Violeta: dos mais votados, pelos presentes. O Amor da Morte e a Morte do Amor: «E se a veia entope,/ só nos resta a nós os dois a hemorragia»."

Comportamento apático fora de um contexto de depressão poderá ser indicador de Parkinson

Vamos lá ver bem as coisas:

APATIA

do Lat. apthia + Gr. apátheia

s. f.,
insensibilidade;

indiferença;

impassibilidade;

inércia;

marasmo.



E ,segundo um conceituado orgão informativo ligado à medicina: "Os doentes de Parkinson podem apresentar um comportamento apático mesmo sem sofrerem de depressão, o que indica que a apatia poderá ser um sintoma da doença. Segundo o jornal Neurology, este comportamento é involuntário e os cuidadores devem estar conscientes de que não se trata de “má vontade” do doente."

Eu não acredito...tão novinho...e a culpa é do sistema...não, juro que não é má vontade...é mesmo d' "Os Maias"

Pois bem, acabo de, através de um auto-diagnóstico e depois deste ser confirmado por colegas e mestra, chegar à conclusão de que sofro de "apatia aguda galopante" durante cerca de quatro períodos de 45 minutos, homogeneamente distribuidos pelos cinco dias úteis da semana. E a culpa nem é da professora. Ela até tem razão quando me adverte para o facto de eu não poder "fazer tábua rasa de centenas de anos de história", mas com tão boa literatura contemporânea, com tantos génios criadores que escrevem de forma algo diferente, com tão boas letras musicais, tantas vezes tão ambíguas e linguisticamente interessantes...literatura do tempo da mornarquia é deveras "diferente" daquilo que um aluno espera quando se inscreve num curso denominado de "Ciências e Tecnologias". Eu quero ser médico, não quero ser historiador...

O Punk Moda Funk um dia vai voltar...

Pois bem, tamanho período de ausência deve-se à minha fuga da vida real...aqueles dias em Albufeira souberam tão bem...salvem o Ambiente, que eu quero continuar a ir às Olimpíadas.

Foram uns dias cansativos...mas mágicos. Foram dias de cliques.

Eu, por exemplo...

Não conto mais. Era só uma justificação da minha ausência, não era um relatório pormenorizado...

Terça-feira, 1 de Maio de 2007

A amizade é um lugar estranho...

Lembro-me de no meu 5º ano ter na minha turma um rapaz que eu já conhecia do Infantário e com o qual nunca me dei muito bem. Era daquelas coisas que não consigo explicar, não gostava dele e pronto! À primeira vista o sentimento era recíproco.

Passamos quase dois anos com picardias. Ele era mais velho. Normalmente fazia muitas asneiras, mas era o "patriarca" da turma.

Um dia, a professora de português sugeriu que fizessemos um texto onde caracterizássemos um amigo da turma. Pois bem, nenhum daqueles que eu achava grandes amigos escreveu sobre mim. O único a fazê-lo foi o "tal rapaz", e eu era o "das orelhas em forma de ponto de interrogação", no texto que ele fez sobre mim.

Sábado, 28 de Abril de 2007

Hi5: Catálogo Humano ou Piano Bar?

Fiz um Hi5 porque foi persuadido a isso, e já que faço tanta coisa na net, era só mais uma.

Decidi não ligar muito àquilo.

Numa bela tarde decidi dedicar-me ao hi5: fundo bonitinho, mais fotos, avatars, músicas, vídeos...aquilo tava a ficar giro. Era uma má altura da minha vida: mudanças radicais...
Decidi começar a comentar os perfis e as fotos dos meus amigos (amigo para mim é aquele com quem eu falo muito ou conheço bem, daí que não concorde com esta designação quanto a pessoas conhecidas no hi5).

Por arte do acaso, sem querer, fui parar ao perfil de uma menina do Porto, 16 aninhos, hi5 bem trabalhado: decidi ver melhor.
Aquelas fotos eram misteriosas. Ela não se expunha como todas as outras. Havia ali um jogo de cores que me atraía. Comentei, ela respondeu (sempre num tom mágico). Pedi-lhe o e-mail.

Começamos a falar, a saber mais acerca um do outro, a partilhar experiências.

Hoje a Sy* é uma daquelas AMIGAs!
Obrigado Hi5.

Só Mais Um Começo...

Bom, isto é mesmo só mais um começo. Nada de ideias novas. Apenas uma mudança de espaço, quiçá também de estado de espírito...mas não de ideias. Sou uma pessoa de ideias fixas (podem chamar-me teimoso). Vou continuar a falar de música, a enaltecer o que está bem e a apontar o que está mal. Não serei mais do que mais um que, já farto de fóruns e afins, vem aqui vomitar emoções. Não mais do que isso.

Talvez um dia destes venha aqui falar de mim, na primeira pessoa, e dos que me rodeiam, talvez um dia...